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Educação financeira para os mais novos: Como ajudar os seus filhos a poupar - por Jana Couto

28 de Janeiro de 2021
Créditos de imagem: Adobe Stock

Quando um pai ou uma mãe diz para o seu filho(a): “Filho, não temos dinheiro”, “Filha, é impossível para nós”, “Filho, não temos hipótese”. A pergunta que faço é: quando os próprios pais dizem que a vida é assim, quem vai conseguir provar o contrário?

O medo do dinheiro nasce muitas vezes em casa, quando os pais falam sobre as finanças e as crianças ouvem.

 

Existe sempre o que poupa e aquele que gasta em tudo. O primo que está endividado, os comentários acerca dos vizinhos ou até da própria família. Esses comportamentos influenciam-nos mesmo que inconscientemente ao longo da nossa vida. Mais tarde, isso traduz-se em dificuldade na gestão do dinheiro e a forma como se lida com a vida financeira.

 

Quando um pai ou uma mãe diz para o seu filho(a): “Filho, não temos dinheiro”, “Filha, é impossível para nós”, “Filho, não temos hipótese”. A pergunta que faço é: quando os próprios pais dizem que a vida é assim, quem vai conseguir provar o contrário? Espero que seja eu…

 

Eu acredito que devem ser os próprios pais a ensinar aos filhos o valor do dinheiro e a descomplicar o tema do dinheiro.

 

Os filhos crescem à semelhança dos pais, eles repetem os seus comportamentos, atitudes e palavras. Quando eles começam a crescer eles começam a imitar os pais e as mães.

 

Lembro-me de ser pequena e calçar os sapatos altos da minha mãe ou de pedir ao meu pai para conduzir o carro. E isso reflete-se em tudo o resto.

 

Quando uma criança pede um brinquedo pela primeira vez, ela já poderia começar a entender que:

 

  • 1 - É preciso dedicação e trabalho para ter dinheiro;
  • 2 - Os pais têm que trabalhar muito para ganhar dinheiro;
  • 3 - Se quer aquele brinquedo, então vamos planear como podemos juntar o suficiente para comprar e quando isso acontecerá (sim, porque definir um prazo é muito importante).

 

Quando a criança estiver a crescer, esse planeamento poderá envolver uma mesada, que a ajudará a entender que dinheiro é um recurso escasso e finito e que, se cuidar bem dele e souber poupar e esperar, poderá ter coisas maiores (e melhores) no futuro do que se gastar com coisas menores e no agora.

 

Eu nunca tive mesada na minha vida, mas os meus pais sempre me disseram que tinha de trabalhar para ter dinheiro. Então, eu sabia que se um dia quisesse algo eu tinha de guardar muito dinheiro para conseguir algo que eu desejasse.

 

Eu sabia que se gastasse hoje o que os meus avós me davam, que amanhã não poderia comprar outra coisa que eu queria. Eu sabia que tinha de esperar e só gastava o meu dinheiro em algo no agora se quisesse muito isso.

O que fazer e não fazer na Educação Financeira da criança quando ela tiver o próprio dinheiro:

  • Não completes o valor, caso não seja suficiente. Ao invés disso, explica que é preciso saber esperar para conseguir o que se quer.
  • Não sintas pena dos erros dela. Aproveita para mostrar a lição por trás do erro.
  • Não demonstres ansiedade ou preocupação com o dinheiro. Procura sempre demonstrar confiança e apoiar a criança.

 

Conversem sobre o destino daquele dinheiro, e aproveitem para falar sobre a importância do planeamento. Substitui no teu discurso o "não tenho dinheiro" por "não vamos comprar isso agora, porque temos que comprar X ou Y".

Podes fazer potes para ajudar os pequenotes a guardar dinheiro e a nomear diferentes destinos.

Créditos de imagem: Adobe Stock

Pote da diversão, brinquedos, educação... 

 

  • Explica-lhe o que é a mesada - é uma forma de a criança ter o próprio dinheiro para que aprenda a lidar com ele.
  • Define de onde virá o dinheiro - se será uma doação dos pais, se virá de outros familiares, ou se virá do sistema de recompensas, em que a criança faz alguma tarefa e é remunerada por ela.
  • Escolhe um valor harmónico com a idade e a realidade do orçamento familiar - como também com o ambiente em que vive e o que a criança fará com o dinheiro dela. Usa potes transparentes para guardar o dinheiro - as crianças são muito visuais, por isso os potes ou envelopes transparentes são tão interessantes, para que ela acompanhe o crescimento do dinheiro dela.
  • Incentiva a criança a sonhar e a planear - pergunta-lhe o que ela quer fazer com o dinheiro e ajuda-a a fazer um plano para conseguir isso de acordo com o valor e a periodicidade com que recebe.
  • Dá preferência a moedas e notas de baixo valor para fazer volume – as crianças têm tendência a preferir 10 moedas de 10 cêntimos do que uma moeda de 1 euro. Isso porque são visuais, e apegam-se ao volume, isto enquanto o conceito de valor de cada nota ainda não for incorporado.⠀⠀⠀

Então, não dá para só teorizar o andar de bicicleta, explicar a técnica, e assumir que a criança já sabe pedalar. Ela precisa de subir numa bicicleta, experimentar, cair e levantar até que esteja pronta!

Créditos de imagem: Adobe Stock

Com o dinheiro é a mesma coisa: ela vai aprender observando, e também vai aprender com o que os pais ensinam. Mas ela só vai de facto aprender a lidar com o dinheiro, quando tiver o seu dinheiro.

 

Quando entender na prática que o dinheiro é uma moeda de troca. Quando se frustrar com as escolhas erradas. Quando se arrepender de comprar o que não queria tanto assim. Quando entender de verdade que para se conseguir o que quer, é preciso ter disciplina, foco e paciência.


A criança precisa de experimentar, errar, cair e levantar.
É assim com a bicicleta.
É assim com dinheiro.
É assim com a vida!


 

 

Artigo escrito por Jana Couto 

 

Consultora/mentora financeira que tem como missão ajudar pessoas a saírem das dívidas de forma organizada e descomplicada, a terem uma relação saudável com o dinheiro e a investirem para realizarem os seus objetivos de curto, médio e longo prazo. Intuito de promover conhecimento para que elas sejam capazes de entrar em ação e construírem a sua própria riqueza.

 

Pode consultar o seu trabalho diário através do seu Instagram - Clique aqui

Quando um pai ou uma mãe diz para o seu filho(a): “Filho, não temos dinheiro”, “Filha, é impossível para nós”, “Filho, não temos hipótese”. A pergunta que faço é: quando os próprios pais dizem que a vida é assim, quem vai conseguir provar o contrário?

28 de Janeiro de 2021
Autor:

Jana Couto

Consultora Financeira
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